Jovens recém-casados têm um medo muito grande de serem controlados e dominados no relacionamento com seu cônjuge. Há um receio subjacente de que haja uma despersonalização e que percam a identidade. Na realidade o que ocorre é uma fase de intensos ajustes que provoca uma desestabilização momentânea, que denominamos de etapa de “Volta à Realidade”!

Superado o momento inicial de ‘lua-de-mel’ o casal precisa definir rotinas e acordos para a sua convivência. Desde micro-acordos (do tipo: qual o lugar correto de deixar o sapato quando se chega em casa) até macro-acordos (do tipo: que estilo de vida queremos desenvolver). E para cada detalhe é necessário um acordo específico. Alguns destes acordos serão simples de serem alcançados, pois os nubentes já vêm de estilos e formas de pensar muito semelhantes e entrarão rapidamente em acordo. Todavia podem existir áreas nas quais as aprendizagens que cada um teve com suas famílias de origem sejam bastante divergentes.

Cada um de nós avalia a realidade e desenvolve seu Código de Ética a partir das vivências que teve em sua família de origem. É dentro desta que aprendemos o que é certo e o que é errado, bonito ou feio, etc. E cada família tem usos e costumes únicos. Então passamos a acreditar que todos os que têm costumes distintos dos de nossa família estão errados – e isso inclui nosso cônjuge!

Realidades diferentes

Outro dia alguém me disse a respeito de seu cônjuge: “Como ele não pode saber que é errado bocejar sem colocar a mão na frente da boca?” Assim, vamos acreditando que o outro precisa ter a percepção da realidade exatamente como a minha e nos frustramos quando isso não acontece. O perigo é deixar esta frustração crescer e transformar-se em mágoa!

Não só nos frustramos como também tentamos impor ao outro a nossa aprendizagem, tentando assim transformar nosso cônjuge ‘à nossa imagem e semelhança’! Para isso entramos em embates intermináveis na tentativa de CONVENCER o outro que eu estou certo e que está errado é ele(a). Claro que isso gera um enorme desgaste emocional e não produz nenhuma mudança.

A alternativa a este desgaste é abrir-se a um diálogo fecundo, desarmado e humilde, com a convicção de que “eu percebo a realidade desta forma, mas posso estar errado”. Ouvir o outro sem querer responder prontamente. Há uma impossibilidade neurológica que é pensar em uma resposta e ouvir simultaneamente – quando em um diálogo começamos a pensar no que vamos responder ao outro, neste exato momento paramos de ouvir!

Então a partir deste diálogo vamos juntos criar UMA NOVA ALTERNATIVA, que não necessariamente é a minha (que aprendi de minha família) nem a do outro (que aprendeu da família dele), mas algo diferente que vai ser a NOSSA forma, única, exclusiva de lidar com aquela determinada realidade.

Prof. Dr. Carlos “Catito” Grzybowski
Psicólogo – Terapeuta Familiar
CRP 08/1117.