O casamento é um investimento para a vida toda, por isso é necessário que o casal busque melhorar continuamente.

Não seria exagero dizer que milhares de casamentos poderiam ser salvos se simplesmente as pessoas soubessem se comunicar de forma clara e empática, eu não me refiro nem a brigas ou desentendimentos, mas sim ao que acontece no dia a dia, que mesmo não tendo grandes impactos, vai deixando cada vez mais de lado quais são os reais sentimentos e necessidades nos relacionamentos. 

Por isso é importante conversarmos mais sobre empatia, sobre como ela pode fazer mais parte da vida dos casais e das pessoas de forma geral. Além de se colocar no lugar do outro, entender de fato seus sentimentos e necessidades, como trata o ditado “Você pode até calçar os sapatos dos outros, mas os pés continuam sendo os seus”.

Em geral os fatores que mais atrapalham a comunicação em um casal estão ligados a julgamentos e engana-se quem pensa que julgamentos trata-se de discussões em tom de voz agressivo, geralmente isso é inconsciente e está mais conectado com escutar com a finalidade de responder e não de entender, sendo assim as respostas são automáticas e baseadas unicamente em um ponto de vista, para isso você precisa ter clareza que ao comunicar em casal:  

As palavras são interpretadas conforme o humor e a insegurança do próximo.

Precisamos ter cuidado com isso, porque é possível ser agressivo falando num tom suave e demonstrando extrema calma e é normal que quando alguém rebata nosso ponto de vista, a nossa atitude seja rebater, ainda mais porque nosso objetivo principal é que a pessoa concorde com a gente, porém no longo prazo isso tende a ser pouco eficiente, para isso eu acredito que se aplica na vida a dois uma frase de Robert Greene no livro As 48 leis do poder:  

“Qualquer triunfo momentâneo que você tenha alcançado discutindo, é na verdade, uma vitória de Pirro: o ressentimento e a má vontade que você desperta são mais fortes e permanentes do que qualquer mudança momentânea de opinião. É muito mais eficaz fazer os outros concordarem com você por suas atitudes, sem dizer uma palavra. Demonstre, não explique”.

São raros os casos de pessoas que conseguem tomar decisões sábias quando estão nervosas, de acordo com a frase, em uma discussão mesmo que o outro lado desista e você “vença” a discussão, isso desperta um sentimento negativo muito mais forte e duradouro, ou seja, o retorno não é interessante. 

Ok, mas como praticar a Comunicação Não Violenta? 

A CNV nos convida para autenticidade, pois trata-se de uma jornada particular de como aplicar as técnicas a medida que você se permite a inserir seus preceitos em sua vida, por isso, pratique intensivamente a inserir esses pilares no seu dia a dia e mais do que isso convide quem está ao seu lado para vivenciar essa jornada. 

Para deixar claro suas intenções analise como você está construindo as frases, baseando sua fala em autoconexão e empatia, e dessa forma você pode ganhar mais a atenção quanto às suas necessidades em casal.

Os pilares são : Observação, sentimentos, necessidades e pedidos.Você pode aprofundar seus estudos em cada um dos tópicos de forma particular, minha pretensão é despertar em você o desejo pela busca por mais empatia em seu relacionamento. 

Ao meu ver, uma das melhores frases do Marshall Rosenberg explica o cerne da CNV e de nossos atos:

“Todo comportamento expressa uma necessidade”

Para que você possa colocar em prática é importante ter em mente, observar as situações sem qualquer tipo de avaliação ou julgamento, apenas narrar o acontecido conforme os atos e não de acordo com a sua interpretação sobre eles, é como se você pudesse detalhar as ações dos personagens envolvidos. 

Após deixar claro o ato, o segundo passo trata de jogar luz sobre algo que talvez fomos ensinados desde cedo a esconder por achar que qualquer demonstração de vulnerabilidade passaria uma imagem de fraqueza, isso fez com que grande parte das pessoas até hoje, não façam algo importante para resolução de conflitos que é deixar claro como se sentem em relação aos atos, isso mostrará como aquilo de certa forma gerou um impacto sobre você. 

De uma forma geral, nossos atos nos direcionam para que nossas necessidades sejam atendidas, sendo assim nossos comportamentos manifestam aquilo que precisamos. Para você conseguir aquilo que busca, você precisa comunicar de forma clara para a outra pessoa, sendo assim seja específico sobre quais são as suas necessidades e o porque isso é importante para você. 

Por fim e não menos importante, os pedidos, trata-se daquilo que você gostaria que a pessoa fizesse para atender às suas necessidades, para que você seja ajudado, isso precisa estar claro para o outro em forma de pedido, não em forma de indiretas, ironias, julgamentos ou qualquer coisa que afaste a empatia.

Se você quer passar uma mensagem e quer deixar claro quais são suas necessidades em relação aos atos, aí vai uma dica de como começar a aplicar a CNV em três passos.  

Quando você(observação)

eu me sinto(sentimento)

porque eu(necessidade)

EXEMPLO:

Quando você me liga a cada hora para saber onde eu estou, eu me sinto ansioso, porque eu preciso de liberdade

Veja como dessa forma você não incorre em julgamentos e deixa claro o ato, o impacto que isso gera em você e suas necessidades, sem necessariamente julgar ou colocar rótulos no outro.

O caminho da comunicação não violenta é um convite para inserir verdadeiramente a empatia em seu relacionamento, além desta técnica entender de forma plena o outro te ajudará muito a ter uma convivência alegre e harmoniosa, entenda o perfil da pessoas e como ela se comunica. Para isso separei a sugestão de três livros que com certeza vão te ajudar a viver a empatia de forma natural em seu relacionamento.  

Sugestões de livros  
  • Comunicação Não Violenta – Marshall Rosebeng 
  • As 5 Linguagens do Amor – Gary Chapmann
  • Tamo Junto – Andrea Fernanda Morais

 

Eu torço para que cada dia mais com a aplicação destas e de outras técnicas, você possa se conectar com os seus sentimentos e com a essência da empatia em seu relacionamento.  Conte comigo! 

 

Anderson Sulchinski

Fundador da Faz que Acontece